Espaço Irmão Gabriel Taborin

Breve Histórico

Gabriel Taborin nasceu no dia 1 de novembro de 1799, num pequeno vilarejo da França chamado Belleydoux, lugar habitado por 300 habitantes. De família de origem camponesa, criadores de vacas, possuem uma pequena pousada. Belleydoux é um vilarejo rodeado de montanhas no leste da França, no Departamento de Ain. Esta região próxima dos Alpes tem um solo pobre e seco, por isso não há grandes plantações e a vida é muito sofrida. Culturalmente, a população é pouco instruída, não há escola no local, os transportes são precários e as pessoas vivem de forma muito simples. A época é de grandes mudanças políticas e sociais, com o início da Revolução Francesa, que marca grande parte da infância de Gabriel.


Gabriel Taborin é filho de Maria Josefa e Cláudio Poncet Taborin, quarto filho desta família do campo. Sua família é muito religiosa e trabalhadora. Gabriel é alfabetizado pelo padre Rey que atende a capela de Belleydoux. Desde pequeno mostra muito interesse pelas atividades religiosas. Em 1811, faz sua primeira Eucaristia, dia que marca sua vida. Com doze anos de idade vai a um internato de padres em Plagnes, que fica a 5 km de distância de seu povoado natal. Seus pais acreditam que seguiria as ordens sacerdotais, por isso incentivam a continuação de seus estudos. Mas, para a sua decepção, cinco anos mais tarde Gabriel volta a Belleydoux e ali inicia suas atividades de catequese, ajuda na igreja e, sobretudo, inicia uma escola num espaço cedido por seus pais em sua própria moradia.


Gabriel inicia, então, um longo período de idas e vindas, tempo de buscas, de encontros e frustrações. Tem sua vocação bem definida: ser Religioso e dedicar sua vida à educação das crianças. Mas como fazer isso? Eis o dilema que o acompanha por vários anos. Dessa forma, inicia uma vida itinerante. Depois de auxiliar ao monsenhor de Chamond em Saint Claude, busca ingressar nos Irmãos de São José. Mas, três anos mais tarde, deixa a estes com a intenção de fundar sua própria congregação religiosa.


Em 1827, Gabriel conhece o bispo Dom Devie, a quem confia seus projetos e sonhos. Este bispo o envia à Brenod para auxiliar o Pe. Charvet. No ano de 1828, inicia uma escola neste local, apoiado pelo município. O bom andamento da escola e o sucesso de Gabriel geram atritos com o sacerdote local e também do povoado vizinho Hauteville. Por essa razão, ele decide sair de Brenod em 1829, chegando a Belmont no mês de novembro. Porém, com a revolução de 1830, a França passa a perseguir os sacerdotes e denegrir a religião. As aulas são dispensadas e as crianças permanecem em casa. Gabriel dirige-se ao Castelo do Barão de Montillet, para o qual trabalha em troca de um bom salário. Mas, um ano mais tarde, volta a Belmont para retomar a escola fechada anteriormente. No ano de 1834, consegue comprar ali uma casa e estabelecer sua residência, onde prepara novos Irmãos e mantém uma pequena escola na qual ensina as crianças do povoado.


Este é o início da Congregação dos Irmãos da Sagrada Família, pois a partir de Belmont e desta data, Gabriel consegue estabelecer moradia, ter uma casa para abrigar sua "família" e espaço - "escola" para desenvolver sua missão. Desde então, o bispo Dom Devie o apoiará muito mais, embora dificuldades nunca lhe faltem, como é o caso da falta de recursos financeiros.


Durante o ano de 1837, Ir. Gabriel conhece o Cura de Ars, o Pe. João Maria Vianney. Este será seu grande amigo e aliado em seu trabalho de conduzir a Congregação. Este bom sacerdote também enviará muitos jovens para serem Irmãos na Congregação do Ir. Gabriel Taborin.


Neste período da vida, Ir. Gabriel já pensa em solidificar sua congregação, por isso busca a aprovação da Igreja e dos representantes civis. Para conseguir a aprovação da Igreja, necessita escrever suas Regras. Assim, ele redige, em 1838, o Guia, que será revisado e aprovado por Mons. Devie. Neste mesmo ano, faz o juramento de fidelidade à Vocação Religiosa e abre novas casas em outros lugares. É a confirmação e a expansão de sua obra, o número de novos Irmãos aumenta e a casa de Belmont torna-se pequena. Assim, planeja deslocar sua principal casa ou "casa mãe" para Belley. No ano de 1840, sua comunidade está formada por 46 pessoas. Mas, um negócio mal feito ou feito às pressas resultou numa enorme dor de cabeça: ao chegarem em Belley estas pessoas estavam sem moradia e aceitaram alojar-se provisoriamente num casebre que servia para guardar ferramentas e materiais da horta do bispado. Este grupo permaneceu durante um mês nesta improvisada moradia até o dia em que ele conseguiu uma casa próxima da catedral, com dinheiro emprestado.


Em 1841, Ir. Gabriel e outro Irmão viajam à Roma para pedir ao papa Gregório XVI a aprovação da Congregação dos Irmãos da Sagrada Família. São recebidos pelo Papa que lhe dá sua palavra de aprovação, depois de estudar o Guia ou a Regra da Ordem. No ano seguinte também acontece o reconhecimento por parte do Estado, com a aprovação do Rei Carlos Alberto. Neste mesmo ano, somam 21 as comunidades formadas de um a três Irmãos espalhadas pela França e em Savoia (um estado, mais tarde, anexado à França).


Neste período entre os anos 1842 e 1844, Ir. Gabriel escreveu duas obras para uso nas escolas. Elaborou "O caminho da santificação" e "O guia da juventude e das famílias no exercício da vida cristã." Ainda organizou um resumo da moral e da doutrina cristã intitulada "Princípios de leitura e de canto gregoriano." Com a orientação do bispo Dom Devie, ele reforça a formação dos futuros Irmãos, preparando-os melhor para a educação e a perseverança na vocação. Também estrutura melhor suas escolas, pois as condições financeiras e o maior número de Irmãos são fatores favoráveis ao crescimento e expansão do Carisma.


Como fundador e chefe da Congregação, Ir. Gabriel viaja bastante procurando acompanhar seus Irmãos. Sua residência habitual é Belley, mas sua presença se faz necessária em outros locais e ele não mede esforços para fazer frente às dificuldades que advém da fraqueza de alguns Irmãos, bem como de conflitos externos com sacerdotes ou pessoas que agem de má fé. Estas muitas viagens são um dos motivos pelos quais ele adoece e enfraquece no final de sua vida. Escreve seu testamento espiritual, no qual destina toda sua obra aos Irmãos da Sagrada Família e deixa a todos um testemunho de pessoa de fé que entrega sua vida nas mãos de seu Pai Criador. Ir. Gabriel Taborin falece em seu quarto na noite do dia 24 de novembro de 1864, acompanhado pelo Ir. Cirilo. Seu corpo é sepultado em Belley e hoje seus restos mortais estão enterrados na Catedral de Belley, França.

 

Texto extraído do livro: O Ir. Gabriel Taborin, de Francisca Bouchard, 2010.

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